Marca: como chutei o balde e mudei completamente a minha

Bibiana Marca & Identidade 0 Comentários

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Então um dia acordei descontente com minha marca. Na verdade, deveria dizer que um dia acordei determinada a mudar minha marca, porque acordar descontente não era novidade a essa altura do campeonato. Vesti minha armadura e fui à guerra – comigo mesma. Voltei ao começo, e refiz tudo – dividi minhas frentes de trabalho, escrevi novos planos de negócio, reestruturei uma marca e criei outra. Difícil? Muito. Quase impossível. Mas sim, comecei de novo, e nunca estive tão feliz. É possível.
Marca: como chutei o balde e mudei completamente a minha | bergamotadesign.com Marca: como chutei o balde e mudei completamente a minha. Sim, comecei de novo, e nunca estive tão feliz. É possível! Vem que te conto como fiz.

Regra nº 1 do empreendedorismo: não tenha medo de falhar.

Essa é a mais difícil de todas, mas é a mais importante.

Quando abri a empresa, em 2012, não fazia ideia do que tava fazendo. Entendia bulhufas de negócios. Só sabia que precisava de algo meu, e que trabalharia com minhas duas paixões, fotografia e design.

Hoje, quase 3 anos depois, não só percebo meus sucessos, mas também meus erros, e posso tomar atitudes para corrigi-los. Sendo assim, decidi separar os serviços de fotografia e design. Ou melhor, agi sobre a decisão, que vinha me inquietando há tempos.

Por quê? Simples: negócios. Os públicos são diferentes, as estratégias comunicacionais são diferentes, e a cabeça da criatura é hoje diferente. Sinto que não conseguiria seguir adiante sem essa recalculada.

Recalculada sim. Não se trata de falhar, de não suceder. Até porque considero essa jornada um grande sucesso. Conheci pessoas maravilhosas, que me tocaram profundamente e me ajudaram a me tornar uma profissional – e pessoa – melhor. Pessoas essas que, inclusive, me ajudaram a ter a consciência e humildade de reconhecer que tudo que faço, posso fazer melhor.

Para isso, criei duas marcas novas: Bibiana Silveira – fotografia, e Bergamota – design. Cada uma com seu próprio público, sua própria comunicação, e sua própria página no Facebook. Ah, e o site da Bergamota é esse.

Então começo de novo. Do zero. Mas agora com muito mais consciência do que faço, e da identidade de cada marca. Aos que me apoiaram até aqui – muito obrigada! Não chegaria tão longe sem vocês. E se quiserem seguir apoiando, agradeço desde já.

Escrevi isso em 19 de março de 2015, no dia que acordei com a macaca. Ele foi publicado no bibianasilveira.com.br, site que fiz para minha empresa de fotografia, e para a qual mantive a identidade visual da antiga marca, Bibiana Silveira foto e design – com algumas alterações.

Sobre o caminho

Abri minha empresa em 2012. Começou como uma coisa, mudou pra outra, que mudou pra outra, e assim foi. Atirava pra tudo que é lado, tentava uma coisa e outra, mas nunca conseguia encontrar o “x” da minha questão. Eventualmente descobri que o que faltava para suceder era foco, mas até lá, foi uma sofrência [nunca imaginei que usaria essa palavra, mas – aff – é mais que adequada].

O primeiro passo na minha jornada de descoberta [ui, chique!] foi admitir que não fazia ideia do que tava fazendo. Tinha [e tenho] muitas competências, mas uma delas definitivamente não era gestão de empresas. Então, fiz o que todo curioso faz, e perguntei. Comecei perguntando pro Google, e encontrei milhares de sites e blogs a respeito. Mas nenhum deles falava comigo, sabe? Não era uma empresa no sentido tradicional da palavra, não era impessoal como sugeriam que fosse, não era… tanta coisa.

Até que um dia encontrei uma voz que falava comigo. Na verdade, deveria dizer algumas vozes, mas vou focar [aha! Aprendi o tal do foco!!!] em uma voz, que falou mais alto que as outras. Pelo fim de 2013, descobri o Negócio de Mulher.

Até que um dia!!! A Karine e a Priscila, além de serem umas fofas, compenetradas, e super criativas, falam com mulheres. Era o que me faltava. Consegui entender a tal da gestão e relaciona-la a mim, ao que queria fazer e não sabia como. Li muito, virei stalker do site, mas ainda não era o suficiente…

Então elas lançaram uma ideia: o Empreenda sua Paixão [ps, as inscrições estão abertas pra turma de julho!]. Como elas dizem, é “O curso online para empreendedoras com mentes inquietas: 2 meses de aprendizagem e muita troca. Metodologia criativa para ajudar você tirar suas ideias do papel e criar o emprego dos seus sonhos.” Participei [com muito orgulho] da primeira turma.

Aprendi um monte, conheci uma galera maravilhosa, e descobri meu caminho: o empreendedorismo criativo digital. Aí veio o descontentamento.

Sobre o descontentamento

Seguinte: o problema de começar um negócio sem saber que negócio é esse é que tu fica perdido em relação à marca. E, falando sério, uma designer com problemas de marca e identidade visual é ridículo.

Desde que foquei no ECD [empreendedorismo criativo digital versão fit], percebi que aquela marca que havia criado não cabia. Tipo aquela calça jeans maravilhosa, que tu comprou em liquidação, esperando que a magia fosse acontecer, e usa fielmente, mas ela não cede/ aperta/ corta a circulação das pernas/ acaba com a tua vontade de viver! Poisé, assim que me sentia com aquela marca. Engessada. Gorda. Feia. E tudo mais que nos dizemos na frente do espelho em dias de TPM e vento norte.

E esse descontentamento tem um talento inato para se espalhar por todos os cantinhos da vida, e acabar com a paz de espírito. Não conseguia, por nada nesse mundo, desencalhar daquele mar de desespero, achava que tudo que fazia era ruim, que não valia a pena continuar, que devia fazer concurso pra servidor da prefeitura [hei, moro a duas quadras, pareceu uma boa ideia]… Enchi o saco das amigas empreendedoras maravilhosas que conheci nesse caminho, incomodei filho, gato, até as plantinhas… Até que um dia disse CHEGA!

Acordei com a macaca, encontrei uma solução pros meus problemas, chutei o balde, e meus problemas se acabaram-se.

Brincadeira, os problemas não acabaram não. Ao menos não todos eles. Mas encontrei a solução, e agi sobre ela. Decidi que iria focar em um problema específico, pensei, analisei, planejei, e executei. Até aquele momento, trabalhava fotografia e design na mesma marca. O que, a princípio, parece bom. Mas na prática não é. Vamos à lista:

Porque não é bom trabalhar fotografia e design ao mesmo tempo

  • os públicos são diferentes – sim, os dois são serviços, mas uma coisa é vender fotografia, outra é vender design. E como falar com dois públicos diferentes sem parecer um super herói com problemas de identidade [secreta ou não]?
  • o conteúdo é diferente – já tentou fazer um blog sobre dois conteúdos tão diferentes quanto quiabo e cereja? E o blog é importante, porque é a primeira linha de comunicação com teu cliente, e porque eu disse!
  • os porques são diferentes – sou uma seguidora fiel do Simon Sinek, e acredito no porque das coisas. O porque de oferecer serviços de fotografia é um, o porque de oferecer serviços de design é outro, nunca os dois se encontrarão, e temos de novo o distúrbio de identidade;
  • a maneira de trabalhar é diferente – fotografia é presencial, é o momento, mas também é a edição, e acima de tudo é memória. Design é processo, é lento, é conversa, mas acima de tudo é sedução.

Dá pra entender como tava uma bagunça? Ao tentar fazer tudo, não conseguia fazer nada. Ao tentar falar com todos, não falava com ninguém. Por isso chutei o balde – e criei minha marca nova pra trabalhar apenas o design.

Sobre a marca nova

Comecei do zero. Defini o que iria trabalhar, com quem iria conversar, e como iria me apresentar. Fiz plano de negócios, identidade visual, blog novo, Facebook novo, reestruturei toda a minha rede.

Trabalho com design e identidade visual há 14 anos. Uma coisa que percebi, principalmente nos últimos anos, é que ECDs trabalham e se comunicam de maneira diferente. As necessidades e a maneira de comunicar também o são. Nesse universo, nada é impessoal. Não nos escondemos por trás de uma imagem corporativa: nós somos a imagem da marca. Nós somos a identidade da marca. E esta identidade tem que nos representar. Nada mais justo que começar por mim, correto?

Eis que surgiu a Bergamota:

Comer bergamota no sol é coisa de gaúcho. O famoso lagartear [vulgo pegar sol] embaixo de uma bergamoteira [vulgo tangerina] proseando [vulgo conversando] tomando mate [vulgo chimarrão] é o auge do inverno por esses pagos [vulgo lugares].
Agora tu me pergunta: por que esse monte de guasquice [vulgo – sei lá, não há palavra em português que defina]?
Simples: porque identidade é isso. É assumir quem tu é, e fazer valer.
Eu sou gaúcha, da fronteira, nascida e criada no pampa. É – em grande parte – minha identidade, impossível de tirar, como meu cabelo preto e olhos castanhos e o portunhol que falo.
E ser designer é isso: é reconhecer a identidade do teu projeto e fazer ela brilhar pro mundo todo.
Então é isso que faço: mostro TUA identidade pro mundo. Faço TEU conteúdo brilhar. Com direito a muita lagarteada virtual [o mate é opcional, a prosa é totalmente obrigatória].

Essa é minha marca. E ela existe pra ajudar a tua marca. É o meu porquê. E uma coisa que ficou clara é que não consigo trabalhar sozinha. Bom, até consigo, mas funciono melhor em grupo. Para a parte da gestão, que é um dos meus maiores problemas, pedi ajuda da maravilhosa Juliana Nunes [que conheci no Empreenda sua Paixão], e em nossas sessões de coaching estamos definindo a Bergamota. Tenho até missão, gente!!!

Bergamota Design, uma empresa artesanal que melhora a aproximação entre empreendedor e cliente por meio do equilíbrio intelectual e emocional da mensagem através da identidade visual.

Resumo da ópera

Então esse foi meu caminho, ao menos um pouco do meu caminho. Percebi que ser um ECD é diferente de ser uma empresa, que a comunicação de um é diferente do outro, e que a marca e a identidade visual também devem ser. Percebi que sei andar sozinha, mas ando muito melhor em grupo. Encontrei qual a marca quero deixar no mundo. E que essa maravilha da internet nos dá a capacidade de aproximação além de fronteiras, e todos ganhamos com isso. Mais ainda, percebi o meu porque, encontrei minha identidade como ECD, e ainda conheci um bando de gente bacana. E tu, já achou tua marca?

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Quem escreveu

Bibiana

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Diva mor na Bergamota Design. Designer por formação. Mestranda por opção. Curiosa incurável. Stand up comic nas horas vagas.

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